23 novembro 2006

autoretrato...

Cada dia eu durmo mais tarde...
Não sei bem porque, mas a madrugada me consola
Por dentro grito pedindo socorro
Mas nem eu mesmo me escuto.

Calo e tento ocultar o que é evidente...
Que vegeto... que fico impotente diante das oportunidades
A felicidade escorre
Agonizo dentro de uma aparência sorridente
Mas que visceralmente é um NADA

Meia e volta me revolto
Paro tudo e busco um recomeço
Projeto meus ideias nos rostos e vidas de outros
Acabo imerso em mim mesmo... e isso me mata

Na verdade ainda nem sei quem sou
Se sou ou se sei o que é VERDADE
Projeto algo real dentro do Eduardo
Levanto tarde... e acordo como a mesma MENTIRA de sempre

15 novembro 2006

os poetas ainda vivem...

Me peguei vadiando pela internet nesta quarta-feira de madruga... durante a viagem eu conversava com meu brother Eduardo Vicentino e falávamos de músicas bacanas e/ou toscas. Durante o papo e ele mencionou duas. A primeira foi "Gatinha Manhosa", composição individual do grande Erasmo Carlos. A segunda foi algo regurgitado pela tal de Tati Quebra Barraco. Pouco antes, assistindo ao programa do Tom Cavalcante, ouvi a nova música de trabalho da Kelly Key.

Comecei a refletir, como faço com freqüência, sobre as composições e poesias musicadas que temos no Brasil. Durante a "poesia" da ex-senhora Latino (que belo rótulo) pensei: "Nessa hora Vinicius de Moraes vomitou no inferno (porque no céu eu tenho certeza que ele não está)". Como existe porcaria nesse meio. Todos sabem que sou bem eclético e que respeito todos os tipos de música, mas como tem porcaria no mundo.

Por outro lado, lembrei do Erasmo "Tremendão" Carlos. É um cara que eu gosto muito e repeito, acima de tudo. Acho um grande injustiçado no meio musical, já que muitas das suas composições são lembradas apenas pela parceria com o Rei Roberto Carlos. Mas esmiuçando a obra do Erasmo, nos deparamos com uma infinidade de letras bem construídas e belíssimas.

Podemos passar pela singeleza da Gatinha Manhosa ("Um dia gatinha manhosa eu prendo você, no meu coração"), pela beleza de Palavras ("Eu fiz daquele amor o meu sonho maior, minha razão de tudo. Foi pouco o que restou de tanto que existiu, recordações e nada mais") e pela perspicácia de Mulher ("Mulher, mulher..n na escola em que você foi ensinada, jamais tirei um 10. Sou forte, mas não chego aos seus pés").

Enfim... acho que ainda tem gente boa viva por aí, mas a cada dia que passam nascem menos poetas no mundo. Lamentavelmente...

Deixo proceis uma das minhas preferidas. Já tocou em um monte de lugares, inclusive no filme "12 homens e outro segredo", mas cantado em italiano. Aproveitem...

Sentado à beira de um caminho (Erasmo e Roberto Carlos)

Eu não posso mais ficar aqui a esperar
Que um dia de repente você volte para mim
Vejo caminhões e carros apressados a passar por mim
Estou sentado à beira de um caminho que não tem mais fim
Meu olhar se perde na poeira desta estrada triste
Onde a tristeza e a saudade de você ainda existe
Esse sol que queima no meu rosto um resto de esperança
De ao menos ver de perto seu olhar que eu trago na lembrança

Preciso acabar logo com isso
Preciso lembrar que eu existo
Que eu existo, que eu existo...

Vem a chuva molha o meu rosto e então eu choro tanto
Minhas lágrimas e os pingos dessa chuva se confundem com meu pranto
Olho pra mim mesmo, me procuro e não encontro nada
Sou um pobre resto de esperança na beira de uma estrada

Carros, caminhões, poeira, estrada, tudo tudo se confunde em minha mente
Minha sombra me acompanha e vê que eu estou morrendo lentamente
Só você não vê que eu não posso mais ficar aqui sozinho
Esperando a vida inteira por você sentado à beira de um caminho

07 novembro 2006

ingrato...

Comecei escrever um monte de bobagens reclamando das coisas que estariam faltando na minha vida... deletei tudo e agradeci por ainda ter o discernimento de perceber o quão ingrato eu seria de reclamar de qualquer coisa...

01 novembro 2006

mistura de confusões

Negada... to meio sem inspiração para escrever. "Proveitando" essa lacuna criativa, resolvi escrever neste espaço uma das poesias (?) minhas que foram publicadas no livro "Palavra Viva", anuário de poesia do UnicenP, onde me formei jornalista. Foi legal, já que naquele ano (2002) três escritos meus foram publicados e eu me senti um escritor de verdade, dando autógrafos e tudo. Passado esse tempo bonito, chegando a nossa realidade muito menos utópica, jogo as palavras para vocês lerem.

Vale lembrar que quando escrevo algo e não cito a fonte (a mesma regra se aplica para as fotos) quer dizer que pe tudo meu, com direitos reservados à O Simprão S/A (rs).

"Passagem"

À caça do nada
Sigo o caminho
Atalhos
Estradas
Rios e Moinhos
Mochila
Coragem
Cabelos ao vento
A tua imagem
No meu pensamento
Coração vazio
Solidão acesa
Passado sombrio
Passou...
Esqueça.
Uma nova vida, uma vida nova
Te tirar do pensamento
A pior prova.

É engraçado como em certos momentos da vida a gente acredita tão piamente em certas coisas que cegamos para a realidade. Confiamos tanto num sentimento, que esqueçemos de tantos outros. Chegamos, inclusive, a sentir falta de algumas sensações, que na verdade nos agridem, nos fazem mal. É a magia do amor... ou a falta que ele faz.

"Todo um grande amor só é bem grande se for triste" e "Um poeta só é grande se sofrer". Vinicius era foda... mestre. Eu não sou nada... sou uma mentira.

26 outubro 2006

bah... de arrepiar

Caboclada... se tem uma coisa que eu gosto nessa vida é de música, e estão aí meus amigos (será que estão mesmo?) que não me deixam mentir. Tive o prazer de ouvir em primeira mão todas as músicas que estarão no CD da banda AGENTE X, do meu irmão Vinícius (chitão, para todos).

É lógico que qualquer comentário que eu faça estará recheado de carinho fraternal, mas a qualidade das composições, melodias, arranjos... enfim, o CD como um todo, ficou DO CARALHO. Só consegui ouvir uma vez apenas, mas tive que parar na faixa 7 e repeti-la pelo menos 9 vezes. Já tinha ouvido uma versão no violão tocada e cantada pelo Guilherme, irmão do chitão (e meu brother) num barzinho por aí.

Mas... Bicho, a música é DO CARALHO. Além de me identificar com letra e melodia, ela me arrepiou. Poucas músicas, pouquíssimas eu diria, conseguiram tal feito. Por exemplo, isso acontece sempre que escuto Piano Bar, do Engenheiros. Ou então quando ouço o Hino Nacional. É engraçado (e talvez louco) tentar comparar essas coisas, mas eu ouvi "Mochila nas Costas", do Agente X, e me arrepiei... da mesma forma.

Mando a letra para quem quiser ler agora... queria por o áudio... quem sabe mais além. Deleitem-se com a simplicidade e amplitude dessa letra.

Mochila nas Costas (por Guilherme Scheffer)

Num campo de girassol
É onde busco o teu rosto
Mas não se vê
Já sinto falta de você

Já que moramos tão perto
Ali no mesmo hemisfério
No horizonte eu vejo a chuva chegar

Eu bato a porta, saio pra te buscar!
Pra te levar par onde não tenha frio
Algum lugar onde eu possa ficar junto a ti

Morar numa cabana em Marte
Mochila nas costas...
Morrer de rir do mundo inteiro
Mostrar um sentimento verdadeiro

21 outubro 2006

éle éle...


ê saudades...
que sinto de ti

nem sei bem porque... tu sabes?

Só sei uma coisa...

Que a cada brisa
que sopra

ou folha
que cai...

tulipa
que brota

ou sol
que não sai...

... te materializo

ainda não sei até quando...
mas farei isso sempre...

toda que eu sentir vontade de sorrir

18 outubro 2006

corrente de amigos...

Bem meus amigos... essa é uma daquelas horas em que toda ajuda é importante. Nos idos de "faz tempo pra caralho", precisamente na 3.ª série do primeiro grau, conheci um caboclo que com o passar dos anos só cresceu em importância na minha vida. O cenário foi mudando e mesmo passando por escolas e colégios diferentes, nossa amizade se fortaleceu e amadureceu na medida certa.

Hoje, me considero uma testemunha ocular da luta que o Vinicius (ou Chitão, como preferirem) travou em busca de um sonho. Sonho que foi construído a duras penas, com muitas portas na cara e pedras no caminho, mas que aos poucos está próximo da realidade. Com um CD de músicas próprias praticamente pronto, Chitão, seu (meu) irmão Guilherme e toda a família Agente X está a um passo da concretização de um projeto que já dura ao menos 10 anos.

Esta é a hora dos amigos deles, dos amigos dos amigos, conhecidos e desconhecidos darem as suas contribuições. Finalistas em um concurso de bandas promovidos pelo Grupo Paulo Pimentel (GPP) - ficaram entre as 12 bandas classificadas entre as quase 200 inscritas - eles precisam do apoio de todo mundo na votação que acontece por email.

É simples. Basta mandar um email para mailto:festivalgpp@cssmusic.com.br.com.br e colocar no campo "ASSUNTO" e também no "CORPO DO TEXTO", o nome AGENTE X.

Querem conhecer um pouco mais sobre a banda? Acesse o site deles ali nos meus links preferidos ou clique em www.agentex.com.br. Não percam, na seção de donwloads, a oportunidade de ouvir a música ANNA. Acessem e se surpreendam. Não esqueçam, peça a ajuda dos seus conhecidos e vamos fazer uma enxurrada de emails para os caras do concurso.

Obrigado pela ajuda de todos... forte abraço.
E segue o baile...

obs: Participem de uma corrente que presta para alguma coisa

12 outubro 2006

desalento...

Bah! Hoje tava desabafando com alguns amigos sobre a vida e suas (minhas) frustrações.

Mais tarde um pouco pensei em deixar um recado para uma guria que estimo e admiro muito. Pensando em escrever algo que faça sentido e passe pra ela o que quero dizer, dei de cara com esse texto. Não preciso dizer que o autor é meu mestre Vinicius de Moraes... o resto deixa com a "VIDA". Ela deve, ou deveria, cuidar do resto.



Desalento

Sim, vai e diz
Diz assim
Que eu chorei
Que eu morri
De arrependimento
Que o meu desalento
Já não tem mais fim
Vai e diz
Diz assim
Como sou Infeliz
No meu descaminho

Diz que estou sozinho
E sem saber de mim
Diz que eu estive por pouco
Diz a ela que estou louco
Pra perdoar
Que seja lá como for
Por amor
Por favor
É pra ela voltar

Sim, vai e diz
Diz assim
Que eu rodei
Que eu bebi
Que eu caí
Que eu não sei
Que eu só sei
Que cansei, enfim
Dos meus desencontros
Corre e diz a ela
Que eu entrego os pontos

07 outubro 2006

Bruno, Marrone e os Andaimes

Mesmo estando um verdadeiro arremedo de gente, já que estou castigado pelo cansaço, busquei forças e nesta quinta-feira que passou fui ao show da dupla Bruno e Marrone. Contando com a presteza da minha ex-colega da Rádio Independência, Inês Dumas, me credenciei e fui até o Rancho Matei Manzi.

Logo de cara o primeiro contratempo da noite. Um acidente na frente da entrada para o referido Rancho nos obrigou, eu e meu amigo Eduardo Leonardo Ribeiro Vicentino, a pegar um desvio e entrar pela estrada dos fundos. Por uma estradinha de chão - que me jogou no peito uma saudade de Campo Mourão - entramos, literalmente, mato a dentro com minha viatura. Poucos metros a frente o fluxo de veículos parou graças a quantidade de carros que ia para o local.

Minutos depois cruzamos com um caboclo no meio dessa estrada que dizia: “Ae galera... o estacionamento lá em cima é 25 contos. Pega a direita aqui (numa bifurcação) que é só 15ão”. Fomos no certo, ou seja, o estacionamento “oficial”. “Apenas” 40 minutos depois percorremos mais alguns metros e chegamos até o “estacionamento” (não se preocupem com as “aspas”... vou usar elas muitas vezes). Para as nossas gargalhadas, o estacionamento era 15ão, não os 25 contos anunciados pelo caboclo lá no meio da estrada. Boa tática.

Mais uns 15 minutos e estacionamos o carro. Estacionamos não é a palavra mais certa, já que apenas equilibramos a viatura num morro que chamaram de estacionamento, mas vá lá. Na portaria... nada de lista de imprensa. Depois de uns 10 minutos conseguimos entrar após o OK da minha colega Inês.

Depois de andar por algumas escadas de madeira, descobri que já estava no local do show apenas pelo número de pessoas que estavam concentradas embaixo de uma lona, pois nada que tinha neste espaço lembrava um palco (ou coisa assim).

E ele tem razão. Nunca tinha visto tanta mulher bonita por metro quadrado. Por isso, e pela música, o show valeu muito a pena.

... continua...

(Na foto, tirada pelo Vicentino, vemos o olhar maroto do 2.ª voz Marrone: "As mulheres do Paraná são as mais linda do Brasil". Concordamos com você Marrone)

Bruno, Marrone e os Andaimes II

(Na imagem, podemos ver o que a esmagadora maioria viu. Uma dupla sertaneja entre andaimes e ferros)

... continuando.

Deixamos as dúvidas para trás e fomos para a “coletiva” com a dupla. Ambos simpáticos e acessíveis. Papo legal, rápido, mas legal. Fiquei surpreso com a baixa estatura do vocalista Bruno. O tamanho dele - semelhante ao da minha amiga Ariana - é inversamente proporcional ao seu talento vocal.

Depois de um bate papo rápido, sob a pressão da produção, fomos nos “acomodar” no meio do povão. Pronto. Começou a minha total frustração. Quando o show já ia começar, descobri que atrás de um monte de ferro empilhado e andaimes, ali mesmo onde achei que não existia um palco, existia um “palco”.

Não sei bem por quais motivos, um “camarote” artesanal foi erguido bem diante do público através de andaimes de construção civil. Quem viu o show com perfeição foram os afortunados que estavam na área VIP, porque o povão via pequenos flash’s de Bruno e Marrone quando eles passavam atrás de vigas de metal. A outra opção era assistir o show pelos dois telões instalados, mas sinceramente poderia comprar um DVD da dupla por 10ão. Com os outros 30 reais fazia um churrasco com os amigos.

Os fãs pouco se importaram e o coro que acompanhava as músicas era uníssono. Eu, particularmente, me diverti e cantei várias canções, já que o repertório da dupla é muito bom e empolgante. Fiquei decepcionado porque a estrutura do local é ridícula. Não sei se aqueles andaimes estão sempre ali, pois nunca tinha ido a um show naquele local, mas fiquei revoltado por todos que gastaram seu dinheiro para ver um show do conjunto Bruno, Marrone e os Andaimes.

Conversando com alguns seguranças do local, ficamos sabendo que a própria dupla se queixou da estrutura. Foi um dos shows mais bacanas que já assisti, mas no pior lugar para se fazer um show em Curitiba.

29 setembro 2006

matinhos beach - cap. final (política)


Esse cartaz estava em uma das sacadas da praia de Guaratuba. Podia resumir toda a campanha eleitoral 2006, porque o que tinha de caboclo chato na praia no feriado de 7 de setembro era brincadeira.

Depois do fim do horário eleitoral e após os debates da Globo ficou uma sensação de vazio. Não sei bem porque, mas acho que essa campanha foi a mais sem graça que já presenciei. Nos debates, como sempre, o Requião deu o seu show... ninguém sabe debater no Paraná... Esta é a oposição mais fraca que já vi. Os caras tinham um caso como o do Rasera nas mãos... e não fizeram NADA. Meu Deus... no debate o Osmar Dias teve duas chances de abordar o assunto, mas nada fez. Tocar no assunto em horarios eleitorias, sem chance de réplica do adversário, é MUITO fácil. Outra... a pergunta era sobre Funcionalismo Público... e ninguém perguntou sobre o Nepotismo para o Requião... não entendo mais nada.

Já no debate dos presidenciáveis, o Lula escapou de uma boa. Se tivesse ido ao confronto, como eu acho que deveria, ia tomar paulada de tudo quanto é lado. Ficaram os outros três trocando gentilezas e sendo "políticos"... chegou até a irritar. Bonito mesmo, de coração, foi ver a Heloísa se emocionando na hora de dar "tchau lilica". Gosto da HH... mas não vai dar pra ela.

Acho que o negócio é votar no Pedro Lauro para deputado federal... CA$$INOS no Brasil hehehe.

... e segue o baile.

22 setembro 2006

haikai II

SEMPRE
conserve são
o louco
que vive
em ti

18 setembro 2006

o direito ao FODA-SE

Sinceramente não sei se o texto é mesmo de autoria do Millor Fernandes, mas esse é o crédito que veio nele. Eu já o conhecia, mas tornei a recebe-lo hoje através da minha mãe (é, aquela mãe mesmo... que tem uma tatuagem. Uma não... duas hehe). É hilário... tenho certeza de que todo mundo já usou uma dessas palavrinhas para resumir um sentimento. Divirtam-se.

Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua.

"Pra caralho", por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que "Pra caralho"? "Pra caralho" tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?

No gênero do "Pra caralho", mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso "Nem fodendo!". O "Não, não e não''! E tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade ''Não, absolutamente não!'' o substituem. O "Nem fodendo" é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo "Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!". O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio.

Por sua vez, o "porra nenhuma!" atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um "é PhD porra nenhuma!", ou "ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!". O "porranenhuma", como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha. São dessa mesma gênese os clássicos "aspone", "chepone", "repone" e, mais recentemente, o "prepone" - presidente de porra nenhuma.

Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um "Puta-que-pariu!", ou seu correlato "Puta-que-o-pariu!", falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba...Diante de uma notícia irritante qualquer um "puta-que-o-pariu!" dito assim te coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.

E o que dizer de nosso famoso "vai tomar no cu!"? E sua maravilhosa e reforçadora derivação "vai tomar no olho do seu cu!". Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: "Chega! Vai tomar no olho do seu cu!". Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e saia à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.

E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: "Fodeu!". E sua derivação mais avassaladora ainda: "Fodeu de vez!". Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e autodefesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? "Fodeu de vez!". Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de "foda-se!" que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do ''foda-se!"? O "foda-se!" aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta.". Não quer sair comigo? Então foda-se!". "Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!".

O direito ao ''foda-se!" deveria estar assegurado na Constituição Federal. Liberdade, igualdade, fraternidade e FODA-SE. Millor Fernandes

... e segue o baile!

14 setembro 2006

matinhos beach - cap.02

Bem... voltando ao assunto Matinhos Beach. Depois da história sobre o senhor Esterlio, trago para vocês um causo não menos curioso que o do cabo eleitoral do candidato Gomyde.

Passeando com meu possante pela selvagem Aveninda Atlântica, pude ver diversas coisas curiosas e presenciar fatos pitorescos. Em um destes casos avistei dois ou três moçoilos- de-peitos-nús, lei-a "Tigrada sem camisa" distribuindo adesivos da candidata a deputada federal Renata Bueno.

Para quem não sabe, a senhorita Renata é filha do insistente candidato a governador Rubens Bueno. Enfim... Os caboclos distribuíam adesivos para as raparigas transeuntes no calçadão, mas, da mesma forma, esticavam seus braços seboros e tatuados para entregar o "mimo" dos adesivos aos motoristas.

Até aí, tudo normal. Quando eu passava por um dos quebra-molas da rua, um dos piás esticou o braço e me entregou um dos adesivo da candidata, entre os muitos que ele segurava. Até, de novo, tudo normal. Só que junto com o adesivo veio uma frase no mínimo curiosa: "Aí parceiro! Não vota nela não. Essa Renata é mó nojenta".

Não sei bem o que pensei na hora, mesmo porque o riso era incontrolável, mas no mesmo instante lembrei do Senhor Esterlio e seu "candidato" Ricardo Gomyde (para quem não lembra, leia o post alí embaixo". O que está havendo? Será que a situação está tão ruim assim que nem os cabos eleitorais acreditam em seus candidatos? Claro que não... sei que o senhor Esterlio falou aquilo de coração, mas o cara que me deu aquele adesivo da Renata Bueno no mínimo era um frustrado que que não conseguiu alguns minutos de prazer com ela.

Mas sei lá... dá pra perder uns 48 segundos pensando nessas duas situações.

Adesivos, parte 2.

Só pra eu não esquecer. Passeando por Guaratuba ganhei outro adesivo de um grupo de cabos eleitorais do Requião. Divertido foi ver que nos adesivos constava o nome de Hermas Brandão como vice de Requião. O TRE anulou a coligação PMDB/PSDB há semanas, mas mesmo assim os adesivos estão nas ruas... será que faltou dinheiro para novos adesivos? hehehe... na verdade os velhos encalharam... (sem qualquer referência aos cabelos brancos do Hermas).

... e segue o baile.

haikai...

A merda
é que você
fede

11 setembro 2006

matinhos beach - cap. 01

O primeiro capítulo dessa história conta a história do sábio Senhor Esterlio.

Logo que cheguei na controversa Matinhos Beach, que mistura veranistas em busca de paz com aventureiros atrás de agito, fui dar uma volta pela cidade.

Movimentada por causa da MatinFest (evento que reuniu apresentações culturais, shows e comidas típicas) e pela enxurrada de cabos eleitorais dos mais variados tipos, a cidade litorânea estava, por incrível que pareça, atraente. Pelo calçadão principal estavam dispostas “mesas de botecos” em todos os espaços livres. Era difícil até para andar. No passeio tive a agradabilíssima companhia dos meus amigos Tina e Tino, além de minha mãe e minha vó. Mergulhamos naquele mar de gente.

Lá pelas tantas, na entrada de um espaço onde expositores mostravam produtos artesanais fabricados na região, me deparei com um senhor de baixa estatura e bem vestido. Nas mãos, o senhor de nome curioso, Esterlio, tinha um maço de jornais que continham propaganda política do candidato a deputado federal Ricardo Gomyde. Com um sorriso nos lábios me ofereceu um exemplar.

Tal fato não teria muita importância se o gesto do senhor Esterlio não viesse acompanhado de uma frase que resume grande parte dos políticos brasileiros. Sem nomear ninguém, já que não tenho embasamento de provas para tal, mas o que aquele senhor com seus 60 e poucos anos disse devia ter me deixado com vergonha, não ter me feito rir.

“Vote nesse guri aqui. Ele é muito bom. É jovem... e AINDA não aprendeu a roubar”.

Não é o Gomyde o foco da questão. É a história política do Brasil que me preocupa. Foi isso que motivou o senhor Esterlio a proferir tais palavras.

É uma verdade, que devia nos envergonhar, mas que nos faz rir.

e como eu ri...


(ps. só uma explicação, não que eu precise fazer isso. Não tenho absolutamente nada contra o Gomyde, pelo contrário. Acho que é um cara novo que ainda pode crescer. Espero.)

09 setembro 2006

prévia...

Meus caros... tenho algumas imagens interessantes e informações curiosas sobre minha atual aventura em Matinhos Beach. Mas... esqueci, pra variar, o cabo da minha máquina fotográfica. Assim fica complicado a dar a dinâmica que eu gostaria de dar a esse blog. Enfim... posso garantir que a enxurrada de aventureiros políticos é no mínimo nauseante.

Aguardem com fé... abreijos... segue o baile.

02 setembro 2006

"eu volteeeei. agora pra ficar"

Minha gente... e não é que o homem está vivo, e ainda por cima serelepe? A Folha de São Paulo Online publicou uma matéria hoje (sábado) falando que o ex-presidente Fernando Collor de Mello está na disputa por uma vaga no senado de Alagoas.

Olha que acho que ele tem muita chance de ganhar hein? Não se esqueçam que para a prefeitura de Maceió ele quase levou.

Collor estréia no horário eleitoral e pede para não ficar só

O candidato ao Senado Fernando Collor de Mello (PRTB) estreou hoje no horário eleitoral gratuito de Alagoas com velhos bordões da época em que foi presidente da República. Ele iniciou sua fala com o "minha gente" e encerrou pedindo ao eleitorado: "Não me deixem só".

Com espaço de 25 segundos diários, o programa de Collor hoje foi o último a ser exibido no bloco da tarde do horário eleitoral de TV.Apesar do tempo escasso, ele conseguiu dizer que hoje era o dia do reencontro dele com o "povo, com a esperança e a fé" e que decidiu disputar a vaga para o Senado por insistência de seus aliados. Leia a matéria completa no site da Folha Online.

É meus irmãos... como diria Humerto Gessinger, "Os tempos são outros, os erros os mesmos".

abraços e... Segue o baile.

29 agosto 2006

acreditar em quem? balanço do debate

Assistindo integralmente ao primeiro debate entre os postulantes ao cargo de governador do Paraná, promovido na noite desta segunda-feira pela Rede Bandeirantes, cheguei a uma conclusão: Como é que podemos confiar nossos votos em candidatos que não respeitam nem regras simples para se conduzir um programa de TV?

Sinceramente é impressionante a falta de respeito que a maioria – que na verdade eu creio que sejam todos – dos candidatos seja tão mal educado a esse ponto. Independente do fato de o tempo fornecido para perguntas, respostas, réplicas, tréplicas e direitos de resposta ser curto.

O fato dele descumprirem essas regrinhas ridículas de simples, e que todos os assessores concordaram em reunião prévia, me deixa preocupado e temeroso em relação a quais mãos tomaram conta do meu querido estado nos próximos quatro anos.

Durante o debate foram pedidos nove direitos de respostas por supostas agressões pessoais. A organização do debate só concedeu dois destes direitos ao candidato do PDT Osmar Dias, quando o atual governador Roberto Requião citou a fazenda que Dias possui no estado de Tocantins levantando suspeitas sobre os valores declarados ao Tribunal Regional Estadual. Mas falo mais disso logo abaixo.

As pérolas e curiosidades.

É claro que não poderiam faltar as pérolas soltadas pelos candidatos, os momentos curiosos e peculiaridades de cada um. Algumas frases e e informações me chamaram a atenção.

- Primeiro Osmar Dias chamou o candidato do PSL, Antônio Forte, de ventríloquo. Forte fez acusações contra o vice de Osmar, Derli Donin (ex-prefeito de Toledo), alegando que ele tem vários processos contra si. Osmar ficou nervoso e deixou a impressão de não saber de tais processos, mas replicou atacando forte dizendo que Forte é despreparado, nervoso e um ventríloquo de outras pessoas (não as citou).

- Luís Adão, do PSDC, disparou a seguinte frase quando falava da educação para a família de presidiários: “É natural que filhos de presos sejam um dia criminosos”.

- Destaque para as perguntas ácidas de Mello Vianna, do PV. Na primeira disse a Rubens Bueno, do PPS: “Quantos litros de água sanitária você gasta para manter o Voto Limpo?”, em alusão a coligação PPS e PFL que colocou Bueno e Taniguchi (muito criticado por Bueno nas eleições passadas para a Prefeitura de Curitiba) no mesmo barco. Mais tarde Mello perguntou se Flávio Arns, do PT, se ele não tinha vontade de vomitar vendo as denúncias de corrupção no governo Lula. Mais tarde ainda perguntou se o fato dele, Dias, não citar em nenhum momento o nome do seu partido (PDT) era discordar das decisões dele?

Aliás, Mello deitou e rolou. Afirmou que a campanha de Arns ao senado em 2004 foi financiada pela Máfia do Lixo, escândalo de corrupção em São Paulo. Disse também que a campanha de Dias foi financiada por grandes empresas. Perguntou a Dias se ele não tinha vergonha de ver o seu partido coligado com os partidos de Maluf, José Janene e Roberto Jefferson, nomes envolvidos em escândalos. Dias respondeu e disse que será ELE quem vai governar e lamenta por ter nomes envolvidos em escândalos na sua coligação.

- Antônio Forte (que é caminhoneiro) disse que todos que estão envolvidos no caso do Pedágio deviam ir para a cadeia e que só virou candidato porque não conseguiu comprar um caminhão, graças a alta nos preços. Também foi um dos mais nervosos e despreparados. Na primeira pergunta ele levou 20 segundos para ajeitar os óculos e começar a falar. Em seguida demorou quase 1 minuto para perguntar, quebrando as regras do debate (que previam 30 segundos para a pergunta).

Mas a melhor do candidato veio nas considerações finais. Forte disse, ao citar as mães que tem filhos presos e que são reféns do PCC a seguinte frase: "Vou soltar os presos para socializá-los no mercado de trabalho”.

- Requião soltou uma pérola interessante. Ao ser questionado por Osmar Dias sobre suas promessas não cumpridas, ele respondeu: “Eu cumpri compromissos. Promessas quem faz é o santo da sua devoção”.

- Arns e Requião foram políticos e na hora das perguntas só bateram papo, falando de suas propostas. O mesmo entre Requião e Mello Viana.

- Já o clima pesou entre Requião, Osmar e Bueno. Os dois últimos atacaram o atual governador a todo tempo, mas Requião sempre manteve a calma e usou todo o tempo possível para falar das suas “realizações”.

- Uma certa hora Requião chamou Flávio Arns de Oswaldo Arns. Oswaldo foi professor e reitor da PUC por 12 anos.

- Requião chamou dois dos candidatos (que acredito serem Bueno e Dias) de dupla dinâmica, Batman e Robin.

- Requião falou e interrompeu outros candidatos como quis. Faltou ao mediador, o respeitado jornalista José Wille, peitar o governador brecar suas atitudes que foram deselagantes.

- Osmar x Requião. O atual governador afirmou que Dias está no mesmo grupo "lernista" que vendeu o Banestado, tentou vender a Copel e implantou o pedágio. Dias respondeu dizendo que Requião está no grupo de Greca, Stephanes e Algaci Túlio (que eram todos do mesmo grupo). Em seguida Requião atacou dizendo que Osmar estava com a cabeça em outro estado, precisamente em Tocantins, onde tem uma fazenda que, segundo ele, vale R$ 20 milhões, e que Dias teria declarado apenas R$ 2,5 mi. Ao fundo das palavras de Requião, ouvia-se Dias falando: “Pare de mentir... pare de mentir”. Mais tarde Dias ganhou o direito de resposta e explicou que a área foi adquirida em leilão, sem margens para suspeitas. Depois, em um segundo direito de resposta, disse que Requião comprou uma chacará em Almirante Tamandaré com dinheiro do Iap e disse: "você (Requião) terá tempo para falar sobre isso, já que vou lhe processar por calúnia".

- O candidato Luís Adão soltou um “cidadães” no meio dos seus discursos.

- Antônio Forte é visivelmente um homem simples e acho que deve ter boa intenção, mas é visivelmente despreparado. Não apresentou propostas e teve dificuldades até para articular frases inteiras.

- Luis Felipe Bergmann (PSOL) também apresentou muita dificuldade na dicção e suas idéias eram de difícil compreensão.

Considerações dos candidatos

Arns – “Agradeço e quero dizer que faremos um Paraná transparente, a exemplo das minhas contas de campanha.

Forte – “Agradeço o espaço e somos prejudicados pelo tempo de TV, já que temos só 30 segundos”.

Luis Felipe Bergamann – “Agradeço ao apoio que o Paraná vem dando à Heloisa Helena”.

Osmar Dias – “Quero ganhar a eleição falando a verdade. Se o Paraná estivesse igual a propaganda, não me candidataria”.

Requião – “Seguia ‘Carta de Puebla’, compromisso com os pobres”.

Luís Adão – “Agradeço por estar entre os cinco melhores da pesquisa RPC/Ibope ao governo”.

Mello Viana – “Precisamos gerar riqueza. Meio ambiente, cidadania, paz, saber geração de riqueza e bem estar social”.

Bueno – “A campanha começa hoje”.


Bom... agora é esperar para ver o que virá nas próximas semanas.
Segue o baile... e boa sorte a todos os eleitores.

26 agosto 2006

Vitória de Bueno e "O Vassourão"

Por muito pouco um dos melhores momentos do atual Horário Eleitoral não foi tirado do ar. A peça publicitária conhecida como “Família Waltsons”, da coligação “Vote Limpo” (PPS/PFL) - que mostra luzes do Palácio Iguaçu se apagando e ao fundo “parentes” do governador Roberto Requião dando “Boa Noite” uns aos outros – continuará a ser veiculada.

O Tribunal Regional Eleitoral garantiu nesta quinta-feira a licitude de qualquer um chamar o candidato à reeleição Requião de NEPOTISTA. A decisão do juiz auxiliar Renato Lopes Paiva continha o seguinte texto: “O spot, mais do que bem-humorado, é jocoso. Sarcástico, mas não ofensivo e muito menos degradante”. Concordo com a decisão do juiz, já que a peça publicitária é hilária. A frase final “dorme mulher!” é impagável.

Vassourão

Outra piada é a propaganda do candidato a Deputado Estadual Barrichelo. Alguns devem até se lembrar dele em programas de qualidade duvidosa em redes como a Record (TV Independência) e CNT. Agora, considerando estar com prestígio e visibilidade estadual, ele se lança na candidatura a um cargo na Câmara dos Deputados.

Candidato pelo PSDC (Partido Social Democrata Cristão), Barrichelo relembra Jânio Quadros e utiliza uma vassoura como o “mote” principal da sua campanha. Só que a abordagem do candidato paranaense no ano 2006 é bem mais interessante. Ele começa o spot dizendo algo assim... “Sou candidato pela primeira vez. Eu preciso de 200 mil votos então solta a música maestro”. Daí entra o jingle mais ou menos assim: “Limpa, Limpa Barrichelo. Limpa, Limpa Vassourão. O povão já está cansado de tanta pizza, sanguessuga e mensalão”.