Este post terá um tom de protesto. Não que eu precise avisar isso antecipadamente, mas quero deixar bem claro.
Essa semana um amigo enfrentou uma situação inusitada. Estudante de jornalismo na metade do terceiro ano, ele é um cara inteligente, esforçado e determinado. Tem excelentes iniciativas e aparenta estar traçando um caminho promissor no jornalismo. Na ânsia de desenvolver suas habilidade, criou um site para falar das coisas da sua cidade, especificamente, Colombo.
Fala de amenidades, reescreve releases e exercita o seu futuro ofício de viver da escrita. Mas decidiram calar sua voz (bonito isso né?).
De repente ele recebeu uma carta do Sindicato dos Jornalistas do Paraná pedindo que ele justifique e apresente o nome e número de registro do jornalista responsável. Alegando ter recebido denúncia de que o site estaria praticando jornalismo irregularmente, deu prazo de 20 dias para ele se pronunciar, sob pena de ver a denuncia ser encaminhada ao Ministério do Trabalho para sanções cabíveis.
Thiago Costa é o nome da fera. Piá bom, prestativo e parceiro. Quase abandonou o barco dia desses, mas conseguimos demove-lo da idéia, acredito que o jornalismo é dom e carma.
O Sindicato dos Jornalistas, como se não tivesse coisas mais importantes para se preocupar, pediu a retirada do site do ar. O Thiago escreve os textos do Diário de Colombo no pouco tempo que lhe resta entre a faculdade pela manhã e o trabalho na Gazeta do Povo durante a noite, como treinee. Escreve do quarto dele, do seu computador pessoal.
Qual é o objetivo desta atitude do sindicato? Preservar o nosso direito de jornalistas registrados? Ou mostrar que está atento a tudo, numa demosntração desnecessária de zelo? O cara escreve por prazer. Não ganha um centavo com isso.
A justificativa do funcionário do sindicato é que Thiago escreve os textos com Lead. Para quem não sabe, lead é uma palavrinha que significa uma ferramenta da escrita que responde as perguntas O que? Quando? Onde? Como? e Porque? logo no primeiro parágrafo dos textos. Coisa que se ensina na faculdade.
Ou seja, eles reclamaram e proibiram o Thiago de escrever porque ele começa os texos com o LEAD. Diz o sindicato que se o texto fosse um diálogo, não haveria problema, ou "não estariamos tento essa conversa", como falou o membro do sindicato. Outra coisa, medidas cabíveis? Fico imaginando o pessoal do ministério do trabalho lacrando o quarto do Thiago, que é de onde ele escreve. Seria engraçado.
A que conclusão eu chego. Sinceramente achei errada a postura do sindicato. Realmente achei desnecessária uma medida como essa de proibir um exercício de escrever. Acho que eles deviam incentivar atitudes como a do Thiago, que sem pretenção, resolveu falar das coisas da sua gente, comunicar. Simplesmente comunicar.
Respeito muito o pessoal do sindicato, mas acho que tudo poderia ter sido resolvido com uma conversa. Com um aconselhamento. Escrever (seja na faculdade, ou no mercado de trabalho), é um prazer, um dom, um carma. Não se pode impedir ninguem de se expressar. Espero que tudo se resolve bem.